Já existiu alguém em sua
vida que apenas ficou tempo o bastante para saber que mesmo não sendo
obviamente a pessoa certa, ainda assim, há algo que te prende, te fascina? Que te mantêm acordada
durante a noite, que preenche seus pensamentos durante anos a fio? E como nesse momento ele
está lá, no cantinho da sua mente, divagando, eu só queria esquecê-lo, deixá-lo
partir, estou cansada, cansada de tudo isso, cansada de esperar que a pessoa
perfeita apareça, e substitua esse espaço que ele alcançou, o que obviamente é
impossível para mim, estou cansada de assistir séries que só reafirmam o caráter
entre pessoas justas e deflagradas, que o mocinho tem que padecer enquanto a
pessoa de quem ele realmente gosta está longe do Alcan se dele, por que parece
tão difícil admitir o que está acontecendo? Não há pessoas
perfeitas e ainda assim continuo esperando, esperando que eu não esteja
totalmente enganada, que ainda exista pessoas capazes de aceitar umas as outras
como realmente são, esperando que eu não seja uma aberração no meio da
natureza, que aquela mesma gentileza e perplexidade que um dia me abrigaram não
sejam de todo ilusório e... Passageira, como se só existisse por saber que, não
duraria. Ainda assim, continuo esperando, o oposto do que presenciei e de certo
modo senti, o antagonismo do amor, continuo acreditando que de todo, ainda há
algo de bom, por aí, mesmo que isso não chegue aqui. Não sei ser diferente, não
sei gostar de ir para festas e suportar aquelas músicas horripilantes que
deveriam ser crime apenas por serem reproduzidas, não sei sair por aí beijando
e esquecendo com a mesma facilidade, não sei agir tão naturalmente com um
garoto, e o único que eu simplesmente deixei acontecer não consigo desapegar,
não consigo aceitar... Mesmo que para isso tenha de engolir a bile.
Não consigo me trair e me
deixar usar, não consigo agir com tamanha frivolidade e acreditar que isso pode
ser o suficiente, acreditar que apenas com uma ou nenhuma palavra as coisas
possam fluir, não consigo tentar fazer o certo quando tudo ao meu redor parece
errado, e então ele está lá, com uma sinceridade tão convincente que quase dar
para acreditar, acreditar que por um momento o romance de verão se tornou real,
que o que aconteceu no ano novo ainda perdura nos três anos seguintes assim
para mim como... Essa é a parte em que eu me chamo e falo para mim mesma cair
na real, por que é tão difícil assim aceitar alguém, especial ou não em minha
vida?
Por que incomoda tanto o
fato de saber que não deixaria acontecer, que não aconteceria?
Ele existe, e ele está
lá, mesmo que às vezes o que vivemos juntos seja bom demais apenas por termos
ficado horas a fio no meio da madrugada sussurrando e rindo de nada, em como
via a compreensão em seus cuidados, a aceitação, e por fim o imperfeito, o
errado, o que jurei jamais aceitar parecia ser o certo, quando insistiu em
recitar poemas e eu o mandei calar a boca, particularmente sempre odiei poemas,
apesar de serem fãs de romances, na pergunta suave e gentil, de até quando eu
seria assim, ficaram, pedaços espalhados em minha mente em intervalos
prolongados, ainda assim... Ironicamente o errado numa visão especulada, medida e visualizada parece ser o perfeito.

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