Ele
existe, e ele está lá. Talvez não esperando por mim, mais ainda assim continua
no mesmo lugar, com o mesmo sorriso, a mesma forma autêntica de olhar o mundo e
a mesma forma doce com que me encarava, como dizia que ao meu lado era
diferente, as expressões, a arrogância
excitante em cada uma de nossas discussões por tudo e por nada. Nossas
conversas intermináveis no meio da madrugada, o medo de me entregar e a
necessidade, a sua paciência sem pressão, o seu respeito por mim e por quem
eu sou, a sua espera mesmo quando ela não levava a lugar algum, suas palavras
de incentivo quando pensávamos no futuro e eu sonhava com o meu, mesmo quando
não o incluíam, em cada um dos momentos guardados, em cada uma de suas palavras
loucas, sem vergonhas ou pretensões, em como eu não ligava a mínima para o que
diziam ou pensavam ao nosso respeito, apenas em como eu me sentia ao seu lado e
em como você me fazia sentir, sorrir.
Quando o certo já não era o bastante, quando o incerto era amedrontador, eu
ainda me lembro de como eu disse que não tínhamos futuro, e que nunca daríamos
certo num período prolongado, e que eu jamais, nunca seria sua, quando as
palavras magoaram, e o peso delas se instalou, e em como eu me refugiava em
minha arte, meu dom. E em cada reencontro era a certeza de que naqueles
instantes ficaríamos juntos e que seria eterno naqueles segundos sem pensar se
teríamos outra chance como aquela, independentemente da forma, da nossa forma,
e em cada partida poderia ser um adeus, na perda e na dor latejante que se
infiltrava sem ser convidada.
Em como você segurava minha mão mesmo quando todos nos olhavam torto, como
meus lábios se colaram aos seus naquele dia, quando todos se perguntavam o que
é que eu estava fazendo e naquele beijo rápido demais e terno como um cobertor
eu lhes dizia : “Estou sendo feliz”.
Síglia C.
Minha primeira postagem! Espero que gostem!

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